sábado, 8 de novembro de 2008

Tudo que sinto, tudo quanto penso

Tudo que sinto, tudo quanto penso,
sem que eu o queira se me converteu
numa vasta planície, um vago extenço
onde há só nada sob o nulo céu.

Não existo senão para saber
que não existo, e, como a recordar,
vejo boiar a inércia do meu ser
no meu ser sem inércia, inútil mar.

Sargaço fluído de uma hora incerta,
quem me dará que o tenha por visão?
Nada, nem o que tolda a descoberta
como o saber que existe o coração.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 24 de julho de 2008

A dúvida

Queria eu
saber tudo de mim
ou tudo do mundo.
Queria eu
saber o som,
o tom,
o código de série
de tudo que nos cerca.

Queria eu? Não...!
Teria graça se eu soubesse?
Teria razão se todos soubessem?
Restaria tesão se todos descobrissem?


Alfredo Goes
24.07.08

Espera!

Tempo,
por que não corres quando quero?
Por que não paras quando espero?
Responda!
Tempo,
não me entendas mal.
É que não te entendo bem,
nada pessoal.

Tempo,
era bom tu pesares o tempo.
Eu até que tento,
mas o dever é teu.
Tempo,
atenção demais é um mal,
não precisas trabalhar em tanta discrição.
Ah, esqueça essa de tempo integral!



Tempo,
Vê se sai da minha contramão!












Alfredo Goes
24.07.08
02h45