segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Poesia

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.



Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.

domingo, 14 de outubro de 2007

Intensidade - II

Não quero nada que não seja verdadeiramente meu.
Afasta de mim toda (a) hipocrisia
E corpos pela metade.
Palavras, amores, paixões...
Só hei de querer se forem verdadeiramente meus!

Egoísmo? Jamais!
Só quero um pouco de sinceridade,
De entrega,
De intensidade,
De tato...
De calor!
Um pouco? Não...
Quero muito disso!

Não me interessa onde estive,
Não me interessa onde estivemos,
Ou onde tudo esteve
Em outras vidas.
Não quero saber!
Meu presente é o presente.
E hoje, quero por inteiro.

Não se preocupe!
Deixa de mão essa censura
E permita-te.
Te quero livre,

Inteiramente aqui.

É porque quero viver mais,
É porque quero intensidade.
É porque tenho desejo,
Paixão,
E Amor.






Alfredo Goes
14.10.07
23h53

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Intensidade...

Que em tanta calma tenho sono,
Que em tanto sono tenho sonho,
Que em tanto sonho tenho afago,
Em tanto afago tenho prazer.
Que em tanto prazer tenho desejo!
Em tanto desejo tenho paixão.

Porque em tanto corpo tenho alma...
Em tanta vida tenho amor.

Se louco estou,
Não quero sanar-me!





Alfredo Goes
11.10.07 - 08h14

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Sem título!

Do mar eu nada sei.
Mas isso não me faz falta.
Parecem estar ali todos os meus sonhos,
Tudo aquilo que ousei chamar verdade.
Parece caber naquelas águas tudo o que sou,
Ou parece dizer a mesma coisa que quero:
E é muito!

Parece estar ali um mundo todo.
Mundo particular, peculiar, salgado-doce!...
Um mundo do jeito que o mundo deveria ser
É o mar aos meus olhos!

Porque ninguém sabe
Onde começa e termina.
Talvez seja tudo uma coisa só!
Sem término, meio, início,
Ou qualquer outra coisa besta afim: finda!
(De que isso realmente importa?)
O que é bom não me importa descobrir onde começa
Ou quando começa,
E nem quero saber quando termina.
Só quero estar...
Só que ter!
(E deixa ser!)


Do mar eu nada sei
Porque ninguém nada sabe!
Se alguém houvesse de saber,
Eu saberia todos esses mistérios...

Mas também não quero definir,
E nem posso definir!
Não quero passar esse tempo pensando em definir...
(Nem pensando em consequências,
Nem pensando o que outros olhos acharão).
Pra pensar assim tem hora!

Ah, mas se alguém houvesse de saber,
Eu saberia...
Porque o tempo todo
Esse som parece me dizer alguma coisa.






Alfredo Goes
8.10.07 - 23h59

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Hoje...

Hoje estou perdido
Como quem não sabe
O rumo que a vida tomou.
Como quem se distraiu
E não viu o trem passar pela estação.
Como quem dormiu demais

E perdeu a hora
(Mas eu não dormi demais...
Eu dormi de menos!).

Porque estou confuso:
Milhões de vezes num segundo eu me perco
No mesmo filme...
Hoje estou como quem ouve milhões de frases opostas

E nada entende completamente.
Tudo penso, muito penso...
Nada concluo.

Hoje estou calado
Como quem espera a resposta
Do mais valioso segredo.
Porque não achei mais resposta nem razão alguma
Desde que ouvi aquela música.

Estou rendido:
Porque as palavras já quase me faltam
E longe estão de me bastar!

Estou agora como quem lutou e cansou...
(Ou seria como quem em calma
Espera a hora chegar?)

Hoje estou só.

Agora estou só...
Porque agora preciso dos meus conselhos,
Da minha própria companhia
Para me entender no silêncio
Da momentânea solidão.

Estou só, mas é só por alguns instantes...
É que amanheceu e o sol se atrasou,
Porque só estou a esperar o fim do silêncio
E o nascer do sol
Para por fim e começo a tudo.


E nada é tão fácil quando é tão bom!


Sim...
Hoje estou perdido, confuso, calado, rendido, e só.
Porque a dor precede o prazer.












Alfredo Goes
24 de setembro de 2007
22h27

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Subitamente...

Não,
Não procure razão real
Nessa loucura.

Esse amor que alimento
Não se prende às definições,
Não se curva à covardia e à previsibilidade.
Louco sábio!
Súdito da aventura e ousadia.

Imprevisível.

Agora me invade
A ânsia pelo prazer
De quebrar o discurso,
Fazê-lo fugir das linhas de apatia
Para um bem maior;
Quebrar o discurso pra provar
Que o discurso só existia
Pra instigar e ser quebrado.

Porque esse amor que alimento
Desnorteia essas frases feitas,
E deixa nossas ondas
A quebrar na mesma praia.

E Essa espuma
Que está quase por te molhar os pés,
Tem o vai e vem desse meu mar...:
Cresce!
Vira onda, vira ressaca...
Engole sem avisar
Nem diz porque.


Alfredo Goes




"Fim.
A noite acabou feito gim.
Espuma branca varrendo meu pé

Será que você não vê
que seu lugar é ao meu lado?"
Cazuza

sábado, 19 de maio de 2007

Em minha companhia

Pássaro em vôo livre
Com todo o céu a ganhar
E na companhia de si mesmo,
e nada mais.
(Engano?)

O acorde das cordas do violão
Seis notas entrelaçadas,
Milhões de sonhos de um só coração.
Frases do impulso, caladas,
Com um mundo a dizer só pra mim.

Ventos veludosos
Que só sopram aqui,
Quando estou só, aqui:
Em companhia de mim mesmo.

Não porque prefiro,
Mas porque tudo muda no mundo;
Porque os lugares não são mais aqueles lugares,
Porque a barba vai crescendo,
E quando percebo,
A única companhia que reside aqui
É a minha.



Alfredo Goes,
19 de maio de 2007 às 17:12

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Sinônimo de paradoxo

Todas as coisas do mundo
Em quatro letras.

Mar turbulento
Que ilha dois corações
Unidos pela mesma força que os arrasta.
O que separa não separa, une.

Chamas em grãos de areia
Do deserto de devaneios.
Loucura.
Vento forte que leva e deixa leve.

Êxtase.
Explosão de enstusiamos e excitação.

Verdade e mentira,
Loucura e razão...

Amor, paixão, vida.
Definições perdidas
Em mentes que se perderam.
E agora só buscam definir
O indefinível.

Não há nada.
Há tudo.
Tudo se perde
Onde tudo se encontra.

E quem sou pra dizer?
Nunca sei nada sobre.
Escrevo pra afastar o sono,
Fazer viver a inspiração;
Afastar o medo de me perder...
De me afogar no silêncio que nada diz.

O único silêncio que quero me perder
É aquele dos teus olhos,
Que nada me deixa dizer
Quando tudo quero dizer.
E, assim, digo tudo que quero.

Sinônimo de paradoxo.
Todas as coisas do mundo
Em quatro letras:
Amor.



Alfredo Goes,
17.05.07 às 02:44



Pra você.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Um escapismo

E quando me recolho dos ventos que me castigam os olhos,
Lanço-me à sorte da minha própria mente,
Deixo-me leve como brisa.
Transporto-me ao primeiro pensamento que me bate à porta.
Ao primeiro pensamento, que é o maior, o mais bonito, o mais suave.
E me transpõe à paz que só tu me apresentas.



Alfredo Goes

quinta-feira, 3 de maio de 2007

E o tempo...

Gasto todo o tempo que eu puder,
Tempo não é moeda:
Não ficarei rico por acumulá-lo.
O tempo não acumula,
O tempo se esvai sem que percebamos
Que não voltará.

Ouvi-te muitas vezes me dizer
Que voltou atrás em decisões,
Mas nunca te ouvirei dizer, meu amor,
Que voltou no tempo
Pra mudar qualquer deslize,
Pra tomar mais uma dose de vida.


Alfredo Goes


01.05.07

sábado, 28 de abril de 2007

São Luís - MA

Tu que me envolves,
Que me chamas,
Que me fascinas!
Hipnotiza-me...
Deixa-me entender a tua poesia.
Alfredo Goes, 28.04.07
(Foto: Maria Luíza Viégas)