quinta-feira, 24 de maio de 2007

Subitamente...

Não,
Não procure razão real
Nessa loucura.

Esse amor que alimento
Não se prende às definições,
Não se curva à covardia e à previsibilidade.
Louco sábio!
Súdito da aventura e ousadia.

Imprevisível.

Agora me invade
A ânsia pelo prazer
De quebrar o discurso,
Fazê-lo fugir das linhas de apatia
Para um bem maior;
Quebrar o discurso pra provar
Que o discurso só existia
Pra instigar e ser quebrado.

Porque esse amor que alimento
Desnorteia essas frases feitas,
E deixa nossas ondas
A quebrar na mesma praia.

E Essa espuma
Que está quase por te molhar os pés,
Tem o vai e vem desse meu mar...:
Cresce!
Vira onda, vira ressaca...
Engole sem avisar
Nem diz porque.


Alfredo Goes




"Fim.
A noite acabou feito gim.
Espuma branca varrendo meu pé

Será que você não vê
que seu lugar é ao meu lado?"
Cazuza

sábado, 19 de maio de 2007

Em minha companhia

Pássaro em vôo livre
Com todo o céu a ganhar
E na companhia de si mesmo,
e nada mais.
(Engano?)

O acorde das cordas do violão
Seis notas entrelaçadas,
Milhões de sonhos de um só coração.
Frases do impulso, caladas,
Com um mundo a dizer só pra mim.

Ventos veludosos
Que só sopram aqui,
Quando estou só, aqui:
Em companhia de mim mesmo.

Não porque prefiro,
Mas porque tudo muda no mundo;
Porque os lugares não são mais aqueles lugares,
Porque a barba vai crescendo,
E quando percebo,
A única companhia que reside aqui
É a minha.



Alfredo Goes,
19 de maio de 2007 às 17:12

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Sinônimo de paradoxo

Todas as coisas do mundo
Em quatro letras.

Mar turbulento
Que ilha dois corações
Unidos pela mesma força que os arrasta.
O que separa não separa, une.

Chamas em grãos de areia
Do deserto de devaneios.
Loucura.
Vento forte que leva e deixa leve.

Êxtase.
Explosão de enstusiamos e excitação.

Verdade e mentira,
Loucura e razão...

Amor, paixão, vida.
Definições perdidas
Em mentes que se perderam.
E agora só buscam definir
O indefinível.

Não há nada.
Há tudo.
Tudo se perde
Onde tudo se encontra.

E quem sou pra dizer?
Nunca sei nada sobre.
Escrevo pra afastar o sono,
Fazer viver a inspiração;
Afastar o medo de me perder...
De me afogar no silêncio que nada diz.

O único silêncio que quero me perder
É aquele dos teus olhos,
Que nada me deixa dizer
Quando tudo quero dizer.
E, assim, digo tudo que quero.

Sinônimo de paradoxo.
Todas as coisas do mundo
Em quatro letras:
Amor.



Alfredo Goes,
17.05.07 às 02:44



Pra você.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Um escapismo

E quando me recolho dos ventos que me castigam os olhos,
Lanço-me à sorte da minha própria mente,
Deixo-me leve como brisa.
Transporto-me ao primeiro pensamento que me bate à porta.
Ao primeiro pensamento, que é o maior, o mais bonito, o mais suave.
E me transpõe à paz que só tu me apresentas.



Alfredo Goes

quinta-feira, 3 de maio de 2007

E o tempo...

Gasto todo o tempo que eu puder,
Tempo não é moeda:
Não ficarei rico por acumulá-lo.
O tempo não acumula,
O tempo se esvai sem que percebamos
Que não voltará.

Ouvi-te muitas vezes me dizer
Que voltou atrás em decisões,
Mas nunca te ouvirei dizer, meu amor,
Que voltou no tempo
Pra mudar qualquer deslize,
Pra tomar mais uma dose de vida.


Alfredo Goes


01.05.07